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  • Dr Victor Miranda

COMO É POSSÍVEL A REVERSÃO DO DIABETES TIPO 2?

Atualizado: 13 de Jan de 2019


O diabetes tipo 2 é, na grande maioria das vezes, causado por um erro nutricional crônico: o excesso relativo de carboidratos.


Os carboidratos são metabolizados e no final das contas são quebrados em moléculas de glicose (açúcar).

Encontramos carboidratos em vários grupos de alimentos, especialmente nos grãos, cereais, frutas e produtos alimentícios industrializados.





Mas, porque eu digo excesso relativo de carboidratos?


Por que uma certa quantidade de carboidratos, por exemplo 200 gramas, pode ser muito para uma pessoa, bom para um ou pouco para outro.


Tudo depende do estilo de vida


  • atividades físicas: trabalhar sentado x trabalhar na construção civil;

  • treinos: frequência, intensidade, aeróbio, musculação;

  • qualidade de sono: privação de sono, trabalhadores noturnos/plantonistas.


De maneira geral, quanto mais jovem, mais músculo e mais ativo você for, mais carboidratos você irá tolerar em sua dieta, sem gerar excesso. Mas, se você não tem mais 20 anos, não possui uma musculatura desenvolvida e fica sentado o dia todo, vai estourar o limite fácil.


Além disso, muito vale o histórico pessoal


  • doenças que possui: se já é pré-diabético, diabético ou obeso;

  • medicações que faz ou já fez uso: corticoides, antidepressivos. Essas medicações alteram a glicemia (glicose no sangue).


Isso já deixa claro que não existe número mágico para a quantidade de carboidratos. Cada indivíduo possui sua demanda.



COMO EU ME TORNO DIABÉTICO?



A partir do momento que o nosso organismo começa receber mais carboidratos do que ele precisa, começa o problema. Essas moléculas de açúcar começam a se acumular, o fígado começa a transformá-las em triglicérides (por isso o exame de triglicérides sobe) e estocá-lo pelo corpo em forma de gordura. A esteatose hepática, também conhecida como gordura no fígado têm suas raízes nesse acúmulo excessivo de triglicérides no fígado.


Além disso, o açúcar em excesso começa a glicar (que significa grudar) os tecidos.

É açúcar para todos os lados!



QUAL O MELHOR EXAME PARA DETECTAR O DIABETES TIPO 2?



Uma das formas de avaliarmos esse excesso de carboidratos é por meio da hemoglobina glicada.


O exame de hemoglobina glicada nada mais é do que a medição da porcentagem de hemoglobina (proteína que carrega o oxigênio no sangue) que está glicada, ou seja, com açúcar grudado em sua estrutura. Dessa forma, conseguimos avaliar, de maneira indireta, a quantidade de açúcar presente no sangue e nos tecidos (rins, fígado, coração, cérebros, etc..).


Por isso, usamos a hemoglobina glicada para acompanhar a progressão do diabetes tipo 2. Esse exame nos mostra a média da glicemia dos últimos três meses.


Veja os valores de referência para diagnóstico de diabetes:


  • Hemoglobina glicada: < 5.7% = exame normal;

  • Hemoglobina glicada: 5.7% - 6.4% = pré-diabetes;

  • Hemoglobina glicada: > 6.5% = diabetes tipo 2.


OBS: as vezes a hemoglobina glicada já está em níveis de pré-diabetes tipo 2 e o exame de glicemia em jejum continua normal! O perfil glicêmico deve ser analisado como um todo! Glicemia, insulina e hemoglobina glicada. Um bom empresário não espera a empresa falir para mudar um setor que não está indo bem. Ao primeiro sinal de prejuízo ele age. Faça uma análise completa!


QUAL É A DEFINIÇÃO DO TERMO "REVERSÃO DO DIABETES TIPO 2?"




A reversão do diabetes é, por alguns autores, definida como redução dos níveis de hemoglobina glicada para menos que 6.5% sem o uso de medicações hipoglicemiantes ou insulina.


Isso é bem diferente da cura do diabetes tipo 2, por um único motivo: se o paciente volta a consumir carboidratos de maneira excessiva, o açúcar começa a se acumular novamente e os níveis de hemoglobina glicada sobem para níveis compatíveis com o diagnóstico de diabetes.




QUAL A MELHOR FORMA DE REDUZIR O AÇÚCAR NO SANGUE?



Existem duas principais formas de se reduzir o excesso relativo de carboidratos na dieta e consequentemente, reduzir o açúcar no sangue (glicemia)


O primeiro e mais intuitivo deles é cortar os carboidratos da dieta. Já tentou secar o chão durante a chuva? Então, sem cortar o excesso de entrada de açúcar no sangue por meio da dieta, você não conseguirá eliminar o excesso de açúcar no sangue. Secar o chão só será possível quando parar de chover.



As dietas baixas em carboidratos, também chamadas de low carb são a melhor opção segundo a literatura atual. Lembrando que dietas low carb não são dietas no carb (sem carboidrato algum).


Existem outras dietas que impactam positivamente os níveis de glicemia e consequentemente de hemoglobina glicada, são elas:


  • Dieta do mediterrâneo;

  • Dieta Dukan;

  • Dieta com restrição calórica;

  • Jejum intermitente

  • Dieta Whole 30;


O detalhe é que todas elas, apesar de não serem conhecidas como dieta low carb, acabam por levar o paciente a consumir melhores fontes de carboidratos e até mesmo, reduzir a quantidade absoluta de carboidratos ingeridos diariamente.


Além disso, algumas são insustentáveis a longo prazo, como por exemplo as com restrição calórica excessiva ou restrição de grande quantidade de grupos de alimentos. Dietas low carb, quando bem estruturadas, permitem uma boa adesão, seguimento a longo prazo e têm o grande diferencial, NÃO TE DEIXAM COM FOME O DIA TODO! E mais, ainda são excelentes para perder peso de maneira saudável, diminuir a gordura abdominal e consequentemente, diminuir a barriga.



O PAPEL DO EXERCÍCIO NO DIABETES TIPO 2


Outra forma de gerir melhor essa oferta de carboidratos é aumentando a necessidade do corpo por eles, assim você tolera melhor a ingesta de carboidratos, não gerando excesso. Isso se dá por meio do exercício físico.


O exercício físico de força ou aeróbio de moderada até alta intensidade consome, prioritariamente, glicogênio como fonte de energia rápida. O glicogênio é uma forma de se estocar açúcar/glicose nos músculos e no fígado.


Assim, após um bom treino, você consome os estoques de glicogênio e o açúcar que da dieta irá restabelecer os estoques de glicogênio antes de ser convertido em triglicérides ou glicar as suas células.



Só mais um detalhe: Não existe treino que supere uma dieta mal feita!

Invista naquilo que traz retorno.


Se você é pré-diabético, diabético ou quer fugir dessas doenças, valorize sua alimentação. Não é moda cuidar da saúde, é dever de casa e deveria ser ensinado nas escolas.



Até o próximo texto!



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